16 de novembro de 2018

A invasão de Alcochete

De forma objectiva, e com base nos factos e evidências conhecidos, a minha opinião quanto à  Invasão de Alcochete resume-se a:

Antes do dia 15 de Maio 

- O presidente Bruno de Carvalho (BdC de ora em diante) hostilizou publicamente os jogadores profissionais do Sporting, quer por meio de comunicações por Facebook, quer por declarações à comunicação social 

- BdC chegou a anunciar a instauração de processos disciplinares aos jogadores por estes terem respondido em comunicado às declarações do presidente, afirmando uma "falta de respeito" ao presidente do SCP, situação que não retiro das muitas leituras do comunicado dos atletas

- A hostilidade da claque Juventude Leonina (de ora em diante Juve Leo) para com alguns jogadores do plantel profissional eram óbvios (caso das tochas com Rui Patrício)

- Após a derrota no Funchal, e no aeroporto, os jogadores e restante comitiva leonina foram abordados por membros da Claque Juve Leo tendo sido exigida a intervenção da policia para afastar esses membros depois de trocas de palavras e empurrões (tentativas de agressão)

- Nas imagens da televisão (CMTV) que foram emitidas por várias vezes, nesse domingo e na segunda feira, é visível o confronto (empurrões) entre membros da claque e jogadores, tornando-se um facto notório de conhecimento público

- Nessas mesmas imagens é verificada a presença do team manager André Geraldes e outros membros da comitiva com responsabilidades directivas no SCP e SCP SAD

- Nas referidas imagens são passadas legendas das ameaças prometidas pelos membros das claques aos jogadores com uma "visita" à Academia

- Foi relatado na comunicação social que na segunda feira terá havido uma reunião com BdC e o plantel, situação que também estará presente nos autos do processo crime

- Essa reunião terá tido como conteúdo não só o mau resultado na Madeira como o ocorrido no aeroporto.

- Perante todos os factos de conhecimento publico - ameaças, insultos, empurrões - que terão sido também abordados na reunião com jogadores, os dirigentes do SCP, incluindo BdC não tomam nenhuma medida de reforço da segurança da Academia ou dos jogadores

- Não é conhecido nenhum aviso, oficial ou não oficial, do SCP para a claque Juve Leo exigindo o bom comportamento das mesmas e repudiando os acontecimentos do aeroporto do Funchal, manifestando o apoio aos jogadores.

Dia 15 de Maio (Invasão da Academia)

- Academia é invadida com jogadores, membros da equipa técnica e das equipas médicas e treinador  a serem alvos de agressões, ameaças; ocorrendo também o lançamento de tochas para dentro dos balneários.

- Segundo os relatos na comunicação social e das rescisões dos contratos pelos jogadores, é referido que só alguns jogadores são agredidos, sendo que as ameaças são produzidas para a globalidade dos jogadores e até familia dos mesmos.

- Os jogadores prestam declarações, em posto policial, sem acompanhamento de qualquer membro ou representante do SCP, não havendo institucionalmente uma posição clara e assumida de apoio aos jogadores

- O presidente BdC não tem uma resposta clara e forte (que era a sua "marca" durante toda a presidência) perante os acontecimentos, desde:
1) Das declarações prestadas (o famoso "é chato!") - muito infelizes e muito aquém de uma condenação clara e notória do acontecimento;
2) Não são tomadas quaisquer medidas institucionais - o acompanhamento dos jogadores/ apoio do departamento jurídico do SCP
3) Não é anunciado desde logo a pretensão do SCP se constituir como assistente do processo (dado que também foi vitima dos actos)


Após dia 15 de Maio 

- O SCP e BdC nunca têm uma resposta institucional forte perante os factos tornados públicos:

1) Não há pressão clara e notória sobre a Juve Leo e seus dirigentes, quando se começa a conhecer que agressores eram da claque
2) Não há imediata abertura de um processo de inquérito interno para averiguar os acontecimentos e possíveis falhas internas, podendo este servir de prova também para o processo crime
3) Não há uma convocação oficial dos jogadores fazer estágio pago e sob protecção do SCP (ainda havia um jogo)
4) Não há uma posição do SCP quanto à própria final da Taça, defendendo o adiamento da mesma
5) Não há nenhuma medida que vise demonstrar a vontade também de protecção dos familiares dos jogadores (garantido também a estes uma paz de espírito...)
6) Não há qualquer comunicado a anunciar a disponibilização do departamento jurídico do SCP para apoiar os jogadores no processo contra os agressores


Resumindo:

Para mim, Bruno de Carvalho, a direcção do SCP  e a administração da SAD ficaram muito aquém do que seria exigido perante os acontecimentos.

Aliás, BdC posteriormente em entrevista ao jornal Record "encheu o peito" defendendo a Academia, mas nunca praticou durante os momentos de crise qualquer acção que mostrasse um pouco da sua forte personalidade. 

BdC nunca foi combativo e exigente nesse momento de crise - nem antes, nem depois da Invasão - e é isso que alimenta as minhas fundadas suspeitas quanto à questão da instigação e dos crimes cometidos em Alcochete.

Para quem sempre teve uma voz forte na presidência, BdC revelou-se um líder muito mau nesta questão em particular...e como eu não acredito em coincidências, acho que BdC, e outros, são responsáveis por acção (instigação) da Invasão à Academia.

E mesmo que não se venha a provar, BdC foi um mau presidente no momento mais grave, não tendo defendido o SCP, e também por isso é para mim culpado por omissão. 


9 de novembro de 2018

A inquisição da espuma dos dias


Longe estaria Boris Vian de pensar que o título do seu livro "A espuma dos dias" ("L´écume des jours") de 1947, seria adoptado como uma "expressão" sobre o instantâneo frágil e aparente que é o presente.

A velocidade, a instantaneidade, o "já, o "agora" sempre foram atractivas para nós, mas nunca antes na história da nossa civilização, a sociedade foi tão seduzida pelo imediato. A globalização com as suas "estradas da informação" permitem a facilidade de comunicar ao Mundo uma opinião através de qualquer aplicação de smartphone ou de qualquer computador ligado à internet.

Cada um de nós, sempre teve opiniões, juízos ou mesmo julgamentos sumários sobre os factos que nos chegam ou são relatados. 
Mas hoje, exige-se a cada um de nós, uma posição imediata sobre qualquer assunto, seja por estúpidas sondagens telefónicas de valor acrescentado, por "fóruns" televisivos e radiofónicos ou por meros "gostos" ou "emojis" nas chamadas redes sociais.

Somos constantemente questionados sobre o facto A ou acontecimento B, e quando se responde que não se sabe ou se invoca o direito de não se pronunciar sobre os mesmos, somos acusados de "estar fora do Mundo".

Tenho sido carinhosamente apelidado de "velhote" por amigos, ou de "não ter opinião" por anónimos, que me questionam sobre uma noticia ou facto da "espuma dos dias", exigindo a minha perspectiva e visão.

Eu reservo-me sempre o direito de primeiro tentar saber o que se passou e deixar passar algum tempo sobre a notícia ou facto, antes de opinar sobre o mesmo. 

E isto por várias razões: primeiro, a maioria das notícias ou "factos" são erróneos e incompletos; segundo, muitos dos factos e notícias não têm qualquer relevância a nível pessoal; terceiro, eu não possuo conhecimentos suficientes para ajuizar certas matérias que são necessárias para a devida análise dos factos.

Resumindo, não gosto de dizer o que penso sem ter a certeza daquilo que penso!

7 de novembro de 2018

Questões de fé: razão e sentimento


Todos nós temos uma opinião sobre as questões de fé. Crente ou não crente num ser divino superior, todo o ser humano, em algum momento da sua vida, esteve debruçado sobre essa questão. 

Eu nunca foi adepto do Deus "à nossa imagem" considerando quase sempre que as religiões são motivo de divisões e conflitos e não de verdadeira união, construindo muitas vezes deturpações e criações humanas para sustentar uma certa visão do Mundo e não de fé.

Considero igualmente que os ateus estão, muitas vezes, mais preocupados em combater as religiões do que a própria ideia de divino, comportando-se como mais uma religião. Isto porque os ateus, sustentados na ciência e nos avanços tecnológicos que incrementam a ilusão de "independência" de Deus, tornam-se muitas vezes tão ou mais adeptos de "conversão" dos outros, como os próprios membros de certas religiões.
Os ateus repetem até à exaustão a sua superioridade racional exigindo a "prova" da existência de Deus a qualquer crente como se este fosse o novo messias ou incorporasse, naquele segundo, atributos divinos. 
Mesmo perante a "prova" de milagres, os ateus respondem com ciência, coincidência, sorte, puro acaso ou qualquer outra justificação pseudo-racional. Para eles não há lugar para um Criador do Universo pois existe o Big Bang. Eles defendem que todos os avanços da Humanidade apenas se devem à mesma e anunciam que nem mesmo perante toda a parfenália tecnológica que hoje possuímos existe uma "imagem de Deus". Por isso concluem que a ideia de Deus ou de Criador é igual às lendas antigas dos tempos onde a Humanidade receava relâmpagos e trovões porque não sabia o que era.

Ora, eu concordo com exigência dos ateus quanto à perspectiva racional ou uso da razão na abordagem à fé. Para mim, a verdadeira fé não se alcança apenas com o sentimento ou emoção, como sucede com a maioria das religiões que nos afirmam o primado do "coração" na fé. Muitas vezes as religiões associam a fé a "sentir algo" desde o "chamamento" até uma série de sensações e emoções que devemos sentir na presença do divino. A maioria dos fiéis das religiões de todo o mundo baseiam-se no sentimento de amor ou na emoção de medo; a velha dicotomia da "cenoura" ou do "pau". E onde o sentimento e a emoção são prioritários, não há  espaço para perguntas pertinentes e dúvidas racionais, que são encaradas, muitas vezes, como uma ofensa ou falta de fé. Assim, nas religiões existe campo fértil para o seguidismo, e por isso temos organizações religiosas com uma hierarquia de liderança onde o "rebanho" é dirigido pelo "pastor" iluminado. 

E este é o grande problema que temos na relação com Deus, caindo quase sempre na armadilha de sermos só racionais e científicos ou só emocionais e sentimentais com ausência de qualquer espírito crítico.

A minha fé não está directamente relacionada com o eu "sentir-me" bem por ser uma criatura de Deus, nem está em dúvida constante por eu não O ver. Deus não existe para cada um de nós ter uma vida sob a Sua direcção, como se cada um de nós fosse o centro das Suas atenções. 
Nós somos o que somos: uma pequena poeira criada neste canto do Universo e que continua a ter a ilusão de ser o centro do mesmo. 









6 de novembro de 2018

A democracia, os novos "democratas" e as "bestas"

 "If I had to sum up the immediate future of democratic politics in a single word I should say “insurance.” 
That is the future—insurance against dangers from abroad, insurance against dangers scarcely less grave and much more near and constant which threaten us here at home in our own island."

Winston Churchill —Free Trade Hall, Manchester, 23 May 1909

A democracia é uma forma de governo, onde todos os cidadãos (recenseados) votam para escolher o grupo de cidadãos que os dirige. Embora sendo uma das invenções das Cidades-Estado gregas (Atenas, a pioneira) só há pouco tempo, na História do mundo, é que passou a  ser aberta a todos os cidadãos, independentemente de género, cor, religião, estatuto social ou riqueza.
Portanto, a democracia existe há muito mas nunca foi exercida da mesma forma, sendo que a actual democracia é bem diferente da democracia de há meio século atrás. 

Tal como os ocidentais fizeram com a religião, pensamento, sociedade e cultura também  eles impuseram ao Mundo essa forma de governo, quer por ordem directa - imperialismo e colonialismo - quer por imposição - guerras e conflitos armados com países com outros regimes que eram derrubados para "em nome do desenvolvimento" estabelecerem a democracia.

E por isso, hoje no mundo global, a democracia é tida como a melhor e única forma de governo, estando de braço dado com o sistema capitalista e financeiro.

Desde já e apara que não hajam dúvidas declaro-me como um democrata! Acredito nos princípios liberais - Liberdade, Igualdade e Fraternidade - bem como no Contrato Social, nas Constituições Liberais e no Estado de Direito! 

No entanto, e como defensor do ideal da democracia, onde os cidadãos escolhem por maioria, defendo inclusivamente o fim do próprio regime democrático. Ou seja, se os meus concidadãos maioritariamente escolherem um ditador ou uma ditadura como direcção para o país, eu posso não concordar mas como verdadeiro democrata que sou, irei respeitar.

Mas nos tempo de hoje, parece que alguns concidadãos de muitos países, acham que a democracia só é democracia se for a "sua" democracia, mesmo para países estrangeiros. Se não for a "sua democracia" então é qualquer coisa que não é democracia, apelidando quase sempre de "ditadura" o novo regime ou  de "ditador" o novo presidente ou primeiro ministro. E podemos apontar como exemplos desta realidade, Donald Trump nos EUA e o novo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.  

Se há pouco tempo ouvia, outros cidadãos a compararem Trump com o grande líder norte coreano, agora ouço a versão brasileira apontado Jair Bolsonaro como ditador. 

E a raiva é tanta que chegou ao ponto de ouvir, em directo num programa da RTP, onde estavam vários eurodeputados, o socialista Francisco Assis (que até aprecio como político) a chamar "besta" a Bolsonaro! Isto de um eurodeputado que é o líder da  delegação da União Europeia para a Mercosul! 

Isto é bem revelador da actual situação! Um eurodeputado e líder da delegação junto da Mercosul, na televisão e em directo, apelida  de "besta" o candidato e futuro presidente do Brasil. Ou seja, a democracia só é boa quando é eleito alguém que não é uma "besta" mesmo que seja essa a vontade da maioria dos cidadãos votantes brasileiros.

Bolsonaro até pode ser uma "besta", tal como Donald Trump, mas venceu as eleições democráticas  no seu país e nós, democratas, não podemos pactuar com estas faltas de respeito para com um povo que votou e escolheu em democracia.

De realçar que os pensadores, políticos e muita outra gente, no caso do Brasil, não se preocupou com os anos e anos de corrupção do Partido dos Trabalhadores e até da tentativa de pressão que este Partido fez junto da Justiça brasileira, violando um dos princípios bases do Estado de Direito - a separação de poderes!

E talvez esteja nesses factos, as razões e fundamentos da eleição de Bolsonaro como presidente do Brasil. A maioria dos cidadãos estava e está cansada da corrupção e da insegurança diária no país e por isso votou em alguém que prometeu uma mudança radical.

E as razões para as "bestas" surgirem está intrinsecamente ligada com a crise dos partidos tradicionais que não respondem às necessidades dos cidadãos, quer por realizarem uma má governação, quer por cultivarem a corrupção e se aproveitarem do poder para benefício próprio.

O crescimento da direita e esquerda radicais na Europa também é uma consequência da crise dos partidos políticos tradicionais que não conseguem dar resposta efectiva aos cidadãos eleitores. 

Aliás, e noutro grau, a mesma "revolta" e o aparecimento de "bestas" também ameaça a União Europeia que se mantém como um projecto anónimo para a maioria dos europeus, sendo apenas conhecida pelos fundos comunitários, imposições de limites orçamentais e uma quantidade estúpida de regras e regulamentos que ninguém percebe.

Assim, a culpa da eleição de "bestas" em democracia deve-se principalmente aos partidos políticos tradicionais do qual o PS de Francisco Assis é um exemplo perfeito com um ex-líder e ex-primeiro ministro a responder criminalmente por corrupção e outros crimes enquanto exercia as funções para o qual foi eleito pela maioria dos meus concidadãos (e não por mim).    



5 de novembro de 2018

As tangas de Tancos

A actual telenovela nacional - "O caso de Tancos" - vai fazendo baixas entre políticos, militares, polícias civis e militares e agora até atinge a reputação do Presidente da República. Tudo muito confuso e tudo muito obscuro para um processo que se repete "ad naseum" que tem que ser transparente. 
Há uma investigação criminal e uma comissão parlamentar para descobrir o que sucedeu e quais as responsabilidades criminais e políticas, embora estas últimas pareçam se ter esgotado com as demissões do Ministro da Defesa  e do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas (uma demissão que merece também ser aprofundada, não sendo suficiente o fundamento por "questões pessoais").

As questões vão-se amontoando e em cada semana destaca-se uma nova noticia sobre o caso, deixando qualquer português sem perceber o que realmente se passa ou se passou. Estamos muito próximos  dum daqueles casos de "matrioskas", havendo sempre um facto que puxa outro. O problema é que um ano volvido do furto das armas ainda não sabemos (nada) tudo sobre o caso.

Por isso, e até para memória futura, aqui ficam as questões mais pertinentes que ainda estão por responder:

- Já estão detidos todos os indivíduos, directamente, envolvidos no furto? 
Parece-me que não pois só se fala de um suspeito directamente relacionado com o furto das armas. Não é credível que uma só pessoa tenha conseguido sozinho furtar e transportar todo aquele material. Os restantes detidos pertencem ao "encobrimento" ou à operação de descoberta das armas.

- As armas furtadas foram todas recuperadas? 
Há muitas listas, sendo a última originária da própria investigação criminal, com levantamento de segredo de justiça, onde se declara que não se encontram recuperadas todas as armas. Resumindo, ou os militares não sabem o que foi furtado (o inventário estava mal elaborado) ou ainda não foram encontradas todas as armas, apesar da "devolução".

- A operação de recuperação foi encenada em conluio com o suspeito detido com que finalidade? Tratou-se de uma "devolução" encoberta (acordo com informador/suspeito) ou de outra coisa (tráfico de armas sem sucesso, por exemplo)?
Aqui cabe à Justiça, nomeadamente ao Ministério Publico, elucidar esta questão. Bem sei que existe uma investigação e processo crime em curso, sendo necessário o segredo de justiça, mas todas as notícias e factos aparentes deste caso têm contornos sinistros.
Desde a Polícia Judiciária Militar estar numa "guerra" de popularidade com a sua congénere civil, até ao ponto de haver assessores e ministros envolvidos, por terem conhecimento directo e autorizado, a história da "devolução" encoberta.
E caso se venha a provar que foi mesmo uma operação de "encobrimento", todos os envolvidos terão que responder criminalmente, incluindo o Ministro e respectivos assessores.

Estas são as perguntas mais pertinentes quanto ao furto das armas e da respectiva operação de recuperação, sendo que estamos a perder o horizonte dos mesmos com tanta notícia sobre o "encobrimento" e quem teria conhecimento do mesmo. Só após a resposta cabal a estas perguntas é que se podem retirar as consequências das respostas obtidas. 

É óbvio que, como qualquer português, tenho as minhas teses quanto a este assunto, começando desde logo com uma suspeita muito forte que o Presidente da Republica foi informado (depois dos acontecimentos e da "devolução") que estava em curso um "código de silêncio" entre militares e gabinete do Ministro da Defesa que pretendia encerrar rapidamente o assunto. 

Para mim, só faz sentido o Presidente estar constantemente a relembrar o " furto de Tancos" e a pressionar a obtenção de resultados e respostas, caso tivesse conhecimento que as "versões públicas" não coincidiam com a informação que lhe foi transmitida. Isto por si, e ao contrário do que se diz hoje, não significa que o Presidente estivesse dentro da manobra de "encobrimento" mas sim que ele tinha conhecimento que havia gente interessada em "encobrir" o que se passou. 

Aliás, o comportamento do Presidente da República mostra ao longo dos últimos meses um apoio incondicional ao Ministério Público, quer atribuindo à ex-Procuradora Geral a comenda de honra por serviços prestados (o que por si só, já é muito significativo) quer realizando uma visita às próprias instalações do Ministério Público (DCIAP). Tal atitude do Presidente da República é suficientemente demonstrativa da posição do mesmo e de que lado este se encontra, não sendo de esperar outra conduta do Chefe Supremo das Forças Armadas. 

O "barulho" que agora é feito junto do Presidente visa apenas, mais uma vez, retirar o foco sobre o que realmente é importante - o furto das armas de Tancos - Quem foi? Como foi? As armas estão recuperadas? - bem como sobre a "devolução" das mesmas - Quem foi? Como foi? Existiu "encobrimento" politico e militar?

20 de julho de 2017

Declaração de interesses, finalidades e afins

Caros Leitores e Visitantes,

Aqui existia um blog que se lançou com uma toada brincalhona mas que ficou sério e depois brincalhão e depois sério e por aí fora. 
Sim, os Autores, eu e o meu cérebro, somos dados a estados de alma, de espírito e de outras coisas como desgostos desportivos do Sporting.
Acima de tudo assumo que sou um humano não perfeito! 
E isto tinha que ser dito porque há para aí muito ser humano perfeito a chatear com a sua perfeição os não perfeitos e a exigir que os imperfeitos, perfeitos sejam!
Para memória futura: Eu gosto de não ser perfeito! 

Dito isto, confesso que sou um liberal nas vertentes sociais e económicas! 
Isto significa que sou Bloco de Esquerda em muitas coisas - casamentos homossexuais (porreiro, pá!), adopções por casais homossexuais (tudo bem, pá!) mas sou CDS-PP ou PPD/PSD na visão económica - Menos Estado é (quase) sempre melhor Estado! (abomino o Estado intervencionista e "paizinho"!)

Sou republicano - defensor acérrimo do lema "Igualdade, Fraternidade e Liberdade" - e considero que a República Portuguesa deve ser laica, ou seja, meus amigos não há feriados religiosos para ninguém...metam férias! (Natal incluído!).

No entanto, não se deixem enganar, sou crente e acredito em Deus! 
Mas não sou católico, nem protestante, nem islâmico, respeitando todos os credos e a fé de cada um. Não gosto dos ateus que exibem a mania da superioridade da sua fé - Deus não existe! - e tentam quase sempre impor a sua visão aos crentes mostrando como estes são ignorantes por acreditarem.

Sou adepto do Sporting Clube de Portugal, que considero o maior, melhor e mais ecléctico clube português. 
Não gosto de fanáticos, das claques portuguesas, dos empresários de jogadores, dos dirigentes chico-espertos e de jogadores burros. Acho que o futebol devia seguir o exemplo do râguebi (esse sim um desporto nobre!) e ser tão transparente quanto o desporto da bola oval.

Gosto de todas as artes com uma particular paixão pela sétima (cinema) e detesto as pseudo-arte. Para dar um exemplo, não conta como arte, a colocação de um barco ferrugento, a cair aos bocados, no centro de uma sala de exposições para transmitir "a erosão da Vida", ou uma tela branca com duas pinceladas gatafunhadas descrevendo "uma vida a par". Isso só é "arte" para o autor da "obra", para amigos dele ou para se ganhar uns cobres com os "parvos"!


E pronto, é isto...